O futuro dos concursos públicos: o mundo mudou

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O futuro dos concursos públicos

“O mundo mudou e aquele mundo (de antes do coronavírus) não existe mais.” Com esta frase, que circulou as redes sociais e os noticiários, o biólogo Átila Iamarino, doutor em microbiologia, plantou a semente de uma nova era pós pandemia. Sobre esse horizonte de mudança, é possível projetar novos cenários para o futuro dos concursos públicos no Brasil? O que deve fazer o concurseiro diante dessa nova realidade?

Concursos públicos: como é

Se pensarmos na Administração Pública no início dos Anos 90, quando os primeiros estatutos dos servidores públicos, pós Constituição de 1988, foram publicados, o quadro de acesso a uma carreira pública era bastante promissor.

A Carta da República exigia o concurso público como forma de ingresso em todo e qualquer cargo público efetivo, abandonando o antigo sistema de apadrinhamentos que perdurava desde a vinda da família real para o Brasil.

Assim, uma grande oferta de concursos, somada à baixa taxa de escolarização da população à época – conforme dados do IPEA, cerca de 8% dos brasileiros tinham curso superior e 13% haviam concluído o ensino médio – fazia com que a concorrência por uma vaga no setor público fosse tarefa de menor complexidade. Ressalvadas certas carreiras estratégicas, para a maioria das funções havia mais cargos que candidatos.

No início dos anos 2000, com a crise nas finanças públicas, quando a União, os Estados e Municípios demonstravam fortes indícios de desequilíbrio fiscal, foi editada a Lei de Responsabilidade Fiscal estabelecendo limites para a despesa de pessoal o que, evidentemente, afetou a oferta de cargos públicos e a vantajosidade remuneratória de algumas carreiras públicas. De lá para cá, o panorama dos concursos públicos nunca mais foi o mesmo.

Concursos públicos: o que esperar

1. De volta para o futuro

Todas as projeções de mercado de trabalho, pensadas para daqui a 10 anos, provavelmente acontecerão em menos de 5 anos: incremento da tecnologia, robotização e uso da inteligência artificial para substituir, em parte, as pessoas na produção de bens e prestação de serviços de menor complexidade intelectual; redução dos espaços físicos das organizações com implantação acelerada do teletrabalho e das terceirizações; busca por profissionais com alta adaptabilidade a mudanças e com espírito de competitividade para resolver problemas, tomar decisões e alcançar resultados.

O campo da Administração Pública, para falar sobre o o futuro dos concursos públicos, deve aumentar a demanda por profissionais com conhecimentos na área de Tecnologia da Informação e em área de conhecimento multidisciplinar, mantendo-se apenas alguns núcleos de carreiras estratégicas (Planejamento, Contabilidade Pública, área Jurídica, área da Saúde e Educação, por exemplo) Ainda assim, com redução de carga-horária, devido ao incremento do uso de tecnologias nos processos cotidianos da administração pública.

O Concurseiro precisa desenvolver a inteligência emocional, conhecer mais de tecnologia e adensar os estudos agregando conhecimentos afins à sua área de formação.

2. O ambiente como meio.

As preocupações com a saúde do planeta, de um modo geral, vão afetar as relações de consumo, a forma como usamos o espaço público, o modo como interagimos com a natureza, os processos de produção de alimentos, e a necessidade de maior investimento em saneamento básico e sustentabilidade ambiental. Assim, algumas carreiras públicas hoje sucateadas devem ganhar importância: engenharia ambiental; arquitetura voltada ao espaço urbano e ao redesenho das cidades; especialistas em políticas públicas, e profissões ligadas à construção civil sustentável devem entrar em alta. Espera-se.

3. Conhecimento sem distância

Não é para abandonar os conhecimentos fundamentais: o médico tem que saber anatomia; o advogado tem que conhecer as leis; o engenheiro tem que saber fazer cálculos. A questão é que o médico vai ter que aprender a operar por meio de robôs. O advogado vai lidar cada vez mais com os processos eletrônicos e o engenheiro precisa entender e lidar com programação e inteligência artificial.

A questão é o desenvolvimento de novas habilidades. O conhecimento será cada vez mais perecível e as informações vão se tornar obsoletas em velocidade cada vez maior. A chave é a adaptabilidade e a atualização contínua e constante. Associado a isto, aprenda a aprender online, o ensino a distância é um caminho sem volta.

4. Não seja bom no que faz. Seja f…

O futuro dos concursos públicos, repleto de mudanças que estão a caminho, não deve ser encarado como um muro intransponível, ou o fim da linha. Ao contrário, para os resilientes é o ponto de partida para se reinventar. Esqueça a antiga ideia de estabilidade no serviço público. Aquela ideia de “pendurar o palitó” após três anos de efetivo exercício, não existe mais. Somente quem tiver alto desempenho vai entrar e permanecer na Administração Pública.

Não espere por uma carreira em que você vai entrar e, com o perdão da palavra, apodrecer nela. Após 35 anos de cargo público, não pense em aposentadoria e sim em começar algo novo: reinvente-se.

Por fim, para os fortes, há mercado, há horizonte e há promissoras carreiras públicas. Para alcançar o sucesso, NÃO SEJA BOM NO QUE FAZ, SEJA FANTÁSTICO.

Bons estudos!

Professora Elisa Faria

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Sobre a professora Elisa Faria

Conhecida nas redes sociais pela capacidade de transformar o Direito Administrativo em assunto palatável e acessível a todos os públicos, a Professora Elisa Faria tem a missão de ensinar a pensar, confiante na incrível capacidade humana de aprender o novo e transformar desafios em histórias de sucesso!

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